Por: Jeff Picanço
Acompanho com interesse as discussões sobre minha terra aqui no “Bacucu com Farinha”. Tudo é válido, pois deste caldo de cultura muitas coisas interessantes vão saindo. É discussão sobre a nova “ilha” do trânsito, sobre a volta da Maria Fumaça, sobre o carnaval, e tantas outras. São discussões que sempre algumas intervenções muito boas, infelizmente quase sempre anônimas, a partir das quais alguém atento pode ter idéias interessantes para a cidade.
O que noto é que os temas mais polêmicos, em vez de virarem reais polêmicas, acabam virando um fla-flu (ou, se preferirem, um atle-tiba) entre situação e oposição municipal. São brigas de idéias, de propostas, de visões de mundo. Só noto que brigas boas não precisam ser brigas pessoais. É bom que se diga, tenho amigos dos dois lados, amigos a quem respeito e admiro. Exatamente por isso, procuro na maior parte das vezes ter uma opinião equilibrada sobre os assuntos que estão sendo tratados.
No caso da “ilha”, ou redutor de velocidade em prisma, como corretamente identificado por um não-identificado anônimo, houve cerca de 30 comentários. Por um lado, houve a gritaria dos que são oposição, e não viram o menor sentido na tal obra. Foram nove manifestações contra a obra e sete contra a administração municipal como um todo. Os que viram sentido no tal redutor, aliás muito poucos, tentaram ver a questão do ponto de vista do pedestre, o que é justo. Outros reclamaram de outras obras, como iluminação e capina de mato.
Meu amigo Mauricio Scarante foi um dos poucos a postar um comentário de “cara limpa”, a mesma cara limpa que ele sempre foi toda a vida. Comentou sobre o pavimento asfáltico da PR-408 e sugeriu que se negociasse com a Concessionária o prolongamento do asfalto daquela rodovia até o Hospital Silvio Bitencourt. O que é uma idéia propositiva e interessantíssima, e que pode ser aproveitada por uma administração atenta.
Ainda não vi o tal redutor em prisma. No entanto, acho que toda aquela avenida, entre a Estação Ferroviária e o início da Rua do Campo, sempre foi muito mal dividida e sinalizada, tanto para motoristas quanto para pedestres. Simplesmente foram arrancados os trilhos, fizeram a tal Avenida Nenê Chaminé e deu. Os pedestres e os ciclistas, que são muitos também, têm realmente poucas possibilidades de atravessar a rua. Logo, acho que toda e qualquer obra naquele trecho é válida.
Ou seja, acho que as intervenções da prefeitura têm razão de ser, sim. É justo que se pense no trânsito dos que andam a pé ou de bicicleta. Mas, pela quantidade de críticas que vi, percebo também muita desinformação sobre as obras da prefeitura. Falta ao cidadão saber quais são as diretrizes da administração municipal. Quais são? Quais são as diretrizes da administração municipal para os “gargalos” do trânsito capelista? Quem vai ter prioridade: o motorista, o pedestre, o ciclista, todos eles? Quem responde?
Refletindo sobre a polêmica dos “redutores em prisma”, acho que há boa vontade por parte da administração sim, mas nenhum plano, nenhuma diretriz. Vai se fazendo a coisa a esmo, como se diria antigamente. Esta é justamente a reclamação da oposição, pelo menos da oposição “anônima” que participa aqui no Bacucu.
Eu realmente não sei se a atual administração está acertando no atacado. As grandes linhas da administração ainda não estão claras para todos, o que é lamentável, por causa de todas as expectativas geradas com sua posse. Isto, nesta altura do campeonato, ainda não há como saber. Mas, no varejo do mato, da iluminação, das obras aparentemente sem sentido, a atual administração municipal está perdendo feio.