sexta-feira, março 20

ATIRE NO CRONISTA...



Por: Jeffe Picanço


Estes dias estava no aeroporto quando o alto-falante me chamou – estava atrasado para embarcar. Vexame total.

Chamou também outro nome, “Senhor Mauro Santayana”. Na plataforma de embarque, encontrei um senhor idoso com sua mulher, descendo a rampa. Perguntei se ele era Mauro Santayana, o cronista da “Folha de São Paulo” e de tantos outros jornais. “Depende”, respondeu ele, cauteloso. Disse-lhe que desde guri adorava suas crônicas, e então ele relaxou. Trocamos algumas palavras gentis e me fui, satisfeito de meu momento-tiete.

A categoria dos cronistas é assim mesmo, ressabiada. Escrevemos todos não para a posteridade, mas para o dia-a-dia, para as questões do aqui-agora. É uma pequena peça literária para consumo rápido. Pá-pum. Às vezes uma crônica faz sucesso, e recebemos aplausos. Outras, recebemos são pedradas. As piores mesmo, as que machucam qualquer cronista, são as respostas indiferentes, ou mesmo resposta nenhuma.

Levei, com meu colega Nerval Pedro, algumas “pedradas” na semana que passou. Algumas críticas faziam sentido, outras nem tanto. Não importa, devem fazer sentido para quem as fez, imagino. Nerval, que trabalhou com meu pai fazendo crônicas pra rádio em priscas eras, já está calejado destas e de outras. O Mauro Santayana, que é um cronista federal, deve ter levado pedradas do mesmo nível. Por isso mesmo ficou desconfiado quando eu o abordei no aeroporto.
As manifestações que vejo aqui no Bacucu com Farinha são de diversos tipos.
As que mais me incomodam são as mais gratuitas, as que procuram ofender a honra ou a dignidade das pessoas. Isso me entristece profundamente, pois não levam a nada, todos perdem. Isso eu já disse anteriormente. O debate que se deseja levar – discutir propostas para melhorar Antonina – deve estar uns cinco andares acima destas baixarias.

Outras propostas discutidas por aqui, como a questão do Carnaval, ou da Maria-Fumaça, das escolas do município, ou mesmo do mato nas ruas – são questões a serem levadas a sério. Ao contrário do que alguns pensam, isso não é sinal de desamor à cidade, muitíssimo pelo contrário. Ou, por outro lado, teremos a política do “Antonina – ame-a ou deixe-a”, tão cara aos espíritos autoritários de outrora.

Ficar reclamando nos dá a pecha de chatos. Meu pai sofria muito com essa fama. Assim como Nerval Pedro, assim como Eduardo Bó, criticar é sintoma de chatice sem cura. Estou com eles. Posso também incluir nessa o Reginaldo, que tem feito uma séria e intensa campanha de denúncias pelo seu blog. Realmente, gostaríamos todos de falar coisas amenas ou coisas boas todo o tempo. Mas bancar a “Polyanna” e fazer o “jogo do contente” não dá, simplesmente não dá.
A gente iria parecer tão chato quanto o blog “oficial” do município, que é muito bem feito, escrito e diagramado, mas que nos passa uma imagem de beatitude acrítica meio difícil de engolir.
Qual a solução? Não sei. A democracia representativa é o pior dos regimes, mas o único no qual eu conseguiria viver. É ruim nos confrontarmos com críticas, mas temos que aceitá-las.
Pior ainda seria ignorá-las ou jogá-las pra baixo do tapete. Bom senso, sempre ele.
Aceitar as críticas, resolver os problemas, e ir em frente. Ver o que é possível, o que é viável. Sobretudo, discutir o que deve ser discutido. Honestamente e de frente. Atacar a pessoa que faz a crítica não é a melhor saída. Seria uma versão mais branda do coronelismo, quando o coronel mandava “descer o relho” nos desafetos.

Não me incomodo em demasia com críticas, mas procuro sempre pensar no que estão me dizendo. Se alguém diz que estou sendo chato, é porque estou sendo chato para alguém. Isso, em princípio, é problema de alguém, e não do chato.

Eu me acho interessantíssimo, às vezes. Só às vezes. Se, porém, muita gente me achar chato, peço desculpas. Pego meu boné (se tiver um) e vou embora. Se meus textos são longos e cansativos... bom, talvez seja melhor parar por aqui.
***
Jeffe meu nobre amigo... Bravo - Bravo
É preciso entendimento para viver mais e bem...
É pena que, no momento, são poucos o que isso tem...
(Lisieux - BH)

5 comentários:

  1. Nerval Pedro Pires da Silva20 de março de 2009 21:39

    Meu querido colega Jeff, confesso que sou meio indolente ao se tratar de responder críticas, essas, por exemplo que estivemos a receber. Também pensei, mas responder a quem, a umas pessoas sem nomes, que agridem e se escondem? A pedido do próprio Neutinho, fui dar uma olhada nos comentários, e confesso a você que mais sorri do que me entristeci, pois vi pessoas se expondo a nosso favor e enxortando o nosso trabalho, e eram a maioria disparada. Só lamento que você por minha causa tenha também entrado nessa dança, mas teu pai também passou junto comigo por esses derradeiros momentos, mas como sábio que era, dizia: estão sentindo a dor das nossas chicotadas, Nerval. Deixe que esperneiem.

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  2. Crítica constr...

    Jeffe,

    Desta vez sua crônica tem mais tempero, ou seja, põe o dedo direto em ferida. Fica aí uma sugestão: bote mais o dedo 'na ferida'. Embora suas manifstações sejam impecáveis, seja na estilíca, seja na gramática, suas crônicas pecam por excesso de diplomacia, embora sejam um bom indutor de questões.

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  3. Antonina não é uma cidade muito rica em manifestações literárias 'da gema'. Seria recomendável que tivessem mais pessoas como o Jeffe e o Nerval. Há algumas outras, porém, 'ensaiando competência', copiando texto de livros. Assim não dá, né!

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  4. Jeff
    Citações como as suas só nos enobrecem, Jeff precisamos também da sua força para de uma vez por todas acabar com as amarras do pensamento.

    Quem não gosta de textos inteligentes, que vá acessar ás páginas do BBB, da Revista Cláudia ou Contigo.

    Continue com seus textos maravilhosos, pois Antonina têm grandes cronistas, espero um dia chegar em 50% cento de que vocês são para nossa Cidade (Jeff e Nerval)na Arte de escrever.

    Abraço
    Reginaldo

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  5. Me esqueci do Reginaldo, ali em cima... Mas é que a controvérsia não o atingia...
    Considere-se, Reginaldo, porque é verdade, também um dos melhores em Antonina.

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