sexta-feira, janeiro 9

BACUNAUTAS NA REDE

PARA NÃO DIZER QUE NÃO ME LEMBREI DAS FLÔRES.

"Muitos já conceberam repúblicas e monarquias jamais vistas, e que nunca existiram na realidade. (. . . ) Mas, como minha intenção é escrever o que tenha utilidade para quem estiver interessado, pareceu-me mais apropriado abordar a verdade efetiva das coisa, e não a imaginação." (Maquivel)

Os argumentos são efêmeros enquanto as ações são duradouras. Há inúmeros verbetes na enciclopédia de ditos políticos que alertam para a fragilidade da palavra e sua instabilidade, quando comparada com a reserva e o silêncio. A palavra, desacompanhada de conduta anunciada, na melhor das hipóteses, uma intenção, que passa e fica imersa no tempo. Ora, as pessoas sabem, até por experiência própria, quantas vezes a melhor das intenções é abandonada sem ser realizada.Assim sendo, quem ouve um argumento, sobretudo um argumento político, que sempre traduz algum interesse, fica normalmente na defensiva. Estamos demasiadamente habituados com a natureza escorregadia das palavras, que podem ser reinterpretadas, negadas, reconsideradas fora do contexto em que foram pronunciadas, de acordo com o interesse do argumentador.

O polemista não entende isto. Não compreende que as palavras nunca são indiferentes. O discurso do polemista fala para ouvidos céticos. Ao perceber que não convence, ele recorre a mais argumentação, agravando ainda mais a sua dificuldade de convencer e vencer.Este problema ainda torna-se mais grave quando a argumentação ocorre com o povo. O que entendemos então é que não se sustentam em argumentações e sim em ações, que convencem muito mais que as palavras.A grande vantagem em demonstrar suas idéias com ações e evidências está no fato de que seus oponentes ficam restritos aos argumentos e às palavras, enquanto você alinha a favor dos seus, ações, fatos e evidências. Uma ação, um comportamento, uma evidência incontestável, valem muito mais que milhares de palavras desacompanhadas. Sobretudo na política, as pessoas estão permanentemente contrastando e comparando palavras com ações. Por isso, na política, o exemplo é sempre tão poderoso como argumento de persuasão.

Vencer uma argumentação pela ação não humilha e ao mesmo tempo prova, além de qualquer duvida, a validade do argumento. Vencer e convencer pela ação complementa-se pelo uso de argumentos. Mas aí reside a diferença. O argumento expande, explicita, enriquece uma realidade que se impôs pela sua própria existência.O político, governante ou legislador, tem muito a se beneficiar seguindo esta lei da política. Segui-la, implica ter mais paciência. A palavra sempre será mais acessível e mais imediata do que as ações. Mas são as ações que estabelecem a reputação de um homem público, não as suas palavras. Por isso, às vezes é melhor conter a impaciência, esperar, e, até quem sabe, perder uma oportunidade para demonstrar seu argumento com ações. Você será convincente, persuasivo e acima de tudo lógico.Vitórias obtidas com argumentos são de curta duração. Novos fatos e novos argumentos podem derrubá-la. Vitórias obtidas com argumentos, numa discussão exasperada, são falsas vitórias.
Despertam ressentimentos e hostilidades que são mais poderosos e muito mais duradouros do que uma circunstancial mudança de idéia. Na sua vida política procure sempre escolher as batalhas que vai lutar.Não entregue para seu inimigo este poder de escolha. Se a médio e longo prazo, não faz maior importância que a outra pessoa concorde ou não com você, ou se você tem certeza que, com o passar do tempo, as evidências vão provar seu ponto, deixe passar.Se, por outro lado, a divergência é decisiva e o tempo não trabalha a seu favor, parta para a ação, demonstre seu ponto com atos, produza resultados e evidências. Vença pela demonstração prática de sua idéia. Se você busca o poder, ou luta para conservá-lo, assegure-se de que as batalhas mais importantes sejam vencidas com ações, nunca com argumentação. Talvez pareça que são menos vitórias do que poderia conseguir. Mas esteja certo, são vitórias asseguradas, consolidadas e inabaláveis. Assim o homem animal racional e político têm de se esforçar para produzir ações e não verborréia desnecessária, que ganha aplausos, mas não conquista verdadeiramente mentes e corações.


Fortunato Machado Filho
Bacharel em Filosofia