quarta-feira, setembro 23

COMO ANDA A CULTURA EM NOSSA CIDADE?

Cultura em nossa

Capítulo VIII

Por Nerval Pedro Pires da Silva

Com o apoio dos vanguardistas, Alceu Ribeiro da Costa - o Bichaço; deste comentarista; do Joãozinho da Cruz Leite; do Oscar meu irmão e outros - Romildo Gonçalves Pereira vence as eleições a Prefeitura, e mais adiante, frustra os anseios e as esperanças dos capelistas por motivos múltiplos, só nos restando então fazer-lhe oposição – o que era a nossa especialidade – pois vivíamos em regime ditatorial.

É aí que entra uma parcela mais importante dessa história, envolvendo política e cultura ao mesmo tempo, e que se faz mister deixar consignado aqui, que por motivos que a própria razão desconhece, fora subtraído ou postergado do contexto, como quiseram alguns, nas comemorações nos 50 anos da Rádio antoninense.

A ZYX-6 – Rádio Antoninense Ltda, havia passado por tantas dificuldades econômico/financeira, e por tantas e tantas mãos, que fora cair nas da Diocese de Paranaguá a pretexto de melhorar as suas condições de funcionabilidade. Os irmãos Mário e Ludovico Mikos, (grandes radialistas por sinal) diretores da Rádio Difusora de Paranaguá, assumiam concomitantemente a direção da nossa emissora até a sua paralisação total, por motivos não revelados. Isso ocorreu no começo dos anos 70 por aí. Durante dois anos aproximadamente a Rádio Antoninense deixou de ir ao ar. Essa lacuna fora sentida por todos os antoninenses sem, entretanto, nada poder fazer. Seus equipamentos pelos anos de desuso e abandono, já se encontravam deteriorados pelas intempéries.

Eis que O padre Albino surge em Antonina, não como pároco - havia, pois deixado a batina recentemente, mas, para se instalar aqui com uma indústria de micro porte na região da Pedreira, antes um pouco das Minas de Ferro, na industrialização de tijolos e telhas. A indústria fora financiada pelo Banco do Brasil local, mas, contudo, continuando ligado ao movimento da Igreja, nunca se afastando dela. Eu o conheci e nos tornamos amigos. O meu escritório fora encarregado de abrir a sua empresa.

Com seu prestígio junto a Diocese de Paranaguá, e com o nosso apelo, eis que ele consegue autorização de Paranaguá para verificar seu estado de precariedade, e ver o que se podia fazer em benefício dela, pois não havia recursos financeiros para recuperá-la.

Não deu outra, com a autorização em mãos, incontinente passamos a agir. Primeiramente, ficou decidido que ela permaneceria funcionando precariamente nos fundos da Igreja Matriz. Em seguida o Pároco, o padre Albino e nós, fizemos algumas reformas necessárias e que duas peças destinar-se-iam a ela – uma para a recepção e a outra para o estúdio.

O padre Albino conseguiu também alguns recursos da Igreja. Com o esforço do Pároco, e juntando aos nossos, foram comprado tintas, pincéis, tábuas e sarrafos e, passamos a prepará-la para a sua entrada em atividade.

Formamos a nossa própria diretoria que ficou assim constituída: Padre Albino, gerente geral; este escrevinhador como diretor comercial encarregado de trazer recursos através de patrocínios, etc; José Maria Storach Filho, como diretor de estúdio e Ari Fernandes como diretor técnico. Os componentes na locução seriam: Celso Meira – o Polenta; Alfredo Jacob Filho – Jacozinho, e Roberto Vieira. Esse era, portanto, o novo casting da ZYX-6, Rádio Antoninense Ltda – A Sentinela do Ar!

Como a Rádio ficara tanto tempo fora do ar, o DENTEL, órgão regulador e fiscalizador das atividades das emissoras de rádio difusão, antes da expedição do alvará para o seu funcionamento, com certeza iria exigigir uma reforma total em seus equipamentos, que pelos seus altos custos não seria possível em tão curto espaço de tempo adquiri-los, dado à falta de condições financeiras gritante, pois os equipamentos eram caríssimos.

Após um minucioso estudo, eis que o Ary Fernandes resolve remover o transmissor do alto do Morro da Cruz para os fundos da Igreja Matriz. Não discutimos com ele sua estratégica de remoção, com certeza sabia o que estava fazendo. O transmissor mais parecia um elefante branco, tal era o seu tamanho descomunal. Como não havia possibilidade de algum veículo subir até aquelas alturas do morro, removemo-lo a muque, descemos com ele na cabeça escorregando que vínhamos, e depois com a ajuda de uma camioneta, o levamos para o estúdio nos fundos da Igreja Matriz de N.S. do Pilar.

Um punhado de gente se aglomerava em torno da escadaria da Igreja para verificar o que estava acontecendo, que depois de informados nos recepcionaram com uma calorosa salva de palmas. E todos correram para nos ajudar. Era, assim, a nossa primeira recompensa!

Porém, o referido elefante branco, teve que passar por uma reforma técnica geral, tal era o seu estado de desgaste. Ary trabalhava dia e noite encima dele. Ele era valvulado, algumas estavam queimadas outras oxidadas, teriam que ser substituídas – isso levava tempo e dinheiro – e da onde?

Ajudados por forças que não sabíamos de onde vinha – nós íamos tocando. Um dia, tarde da noite, estávamos lá eu e ele sozinhos, fazendo-lhe companhia, trabalhando no dito cujo, quando então me disse num ar de confissão: “não podemos mandá-la ao ar com toda a potência, pois se assim o fizermos chamaremos a atenção do Dentel, aí será o fim de tudo. Vamos trabalhar com ela por enquanto na clandestinidade, para isso a faremos funcionar num raio que compreenda somente o nosso município, pois se eles lá no Dentel captarem o nosso sinal – estamos fritos. O que você acha?” – perguntava ele. Ary sobre tudo, era meu amigo, meu irmão, acreditava piamente nele sem quaisquer objeções. Respondi-lhe: ainda mais com esses militares enchendo o meu saco, pisando em meu calcanhar, fungando no meu pescoço, acabaremos por certo, todos no DOPS (Departamento de Ordem Política Social). Ele respondia com uma sonora gargalhada.

Além de tudo era sarcástico também – depois da gargalhada passava a cantarolar baixinho aquele refrão: “navegar é preciso, viver não é preciso” – de Fernando Pessoa, numa alusão a que às vezes, pode ser mais conveniente deixar a mente fantasiar do que enfrentar a vida real. Ary era assim mesmo, fantástico! Sinto muitas saudades dele. Que Deus o tenha bem perto de Si. Deve ter ido para perto de sua bela Polaca. Engraçado que junto dele agente não sentia medo. Ele sabia transferir essa energia pra gente.

Com esta lembrança e homenagem a esse grande cara, deixo para continuar essa história na próxima edição.

(Nerval Pedro é escritor e comentarista)

4 comentários:

  1. Nerval.
    Por incrivel que pareça vim conhecer "seu" Ari em Palmital, cidade próxima de Pitanga aqui no Paraná, quando este acompanhado de seu séquito Sidneizinho Cordeiro Filho, Teto (seu filho) e Epitácio Filho, foram montar um estúdio de rádio para o Prefeito local. Nessa época eu era funcionário contratado da Prefeitura como engenheiro de obras, com status de secretário, o Prefeito sr. João Cecura (gestão de 83/88 - já falecido) nos permitiu construír muita coisa nesse período: Ginásio de esportes, a sede nova da Prefeitura, pavimentação de ruas, o novo terminal rodoviário, iluminação pública, hospital novo em obra iniciada e, também, o estúdio da Rádio Difusora de Palmital que funciona até hoje, veja bem Nerval tudo isso em 3 anos de trabalhos! E "seu" Ari apareceu em Palmital vindo pelas mãos do Prefeito, não sei como, mas pude conhecê-lo melhor nessa época, nos tornamos muito amigos e sempre que nos encontrávamos era aquela alegria relembrando daqueles momentos maravilhosos. Só posso dizer que aprendi um pouco mais de eletrônica com "seu" Ari, pessoa auto-didata em sua profissão, professor de "mão-cheia" nos assuntos de eletro/elétrônica.
    Nerval parabéns pela lembrança do "nosso" Ari, quando puder peça ao "Teto" (seu filho) prá contar a história de como "seu" Ari fez prá anular o som do vizinho parnanguara que o ouvia no último volume .
    Um abraço.
    Mauricio Scarante (Masca)

    ResponderExcluir
  2. CELSO MEIRA para nerval, 22:05 (1 hora atrás)

    Prezado Nerval

    Agradeço a lembrança do meu nome em sua crônica sobre a Rádio Antoninense mas, a bem da verdade, é preciso esclarecer.
    Quando fui colaborar com a ZYX-6, em junho de 1971, já estavam por lá, além do ex-padre Albino, Ari Santos, Zé Maria, Jacozinho, Roberto Vieira e você, algumas pessoas que merecem ser citadas:

    Expedito Polari, Ailde Polari, José Carlos Maurício, Gil Vieira, Jota Martins, Paulo Roberto, Gil Feres, Carlos Jorge Martins, Helena Martins, Wilson Veiga, Donabia Vieira, Benedito Garcia, João Alberto
    E ainda posso ter esquecido outros...

    Um abraço,

    ResponderExcluir
  3. Nerval

    Agradeço a lembrança do meu nome, feito pelo Maurício, em relação a matéria da Rádio Antoninense e do saudoso senhor Ary Fernandes, pai de nossos amigos Této e Pinho (Erupson).

    Depois que trabalhei na Clube - FM quando a mesma ainda estava na Rua Dr. Muricy e tinha sua programação gravada e na Difusora - AM em Balsa Nova/PR, estivemos em Palmital/PR montando o estúdio da Cidade - AM, o seu Ary foi a meu convite.

    Foi um aprendizado imenso sobre radiodifusão que eu tive na vida, pois o homem tinha grande conhecimento sobre o que fazia, para se ter uma idéia até a mesa de som foi ele quem fez. Mais antoninenses estavam por lá, Maurício, professor Sérgio, Této, meu compadre Epitácio Machado e de Morretes o Dr. Antonio Carlos, promotor público. De lá fui para a Campo Largo - FM, hoje Massa - FM 97,7 e nunca mais falei com o Sr. Ary Fernandes.

    Tenho certeza que se seu Ary estivesse hoje entre nós ficaria muito feliz em saber que mais uma emissora se instalou em Antonina, a Tropical - FM, hoje Massa - FM 103,5 e que está bem próximo de entrar no ar a Antoninense - FM 98,3 do nosso amigo Jeferson Santos.

    Nerval, valeu pela lembrança desse senhor que deixou boas recordações em nossa cidade, um abraço aos seus filhos Pinho e Této, parabéns pela matéria e por você também fazer parte da história do rádio em Antonina.

    Sidney Cordeiro

    ResponderExcluir
  4. Altair Pereira Pinheiro26 de abril de 2011 17:20

    Ao Bacucu com farinha, aí vai um abraço do Altair Pereira Pinheiro(ou somente Tacko), queria mandar um abraço a todos os antoninenses, depois desse triste acontecimento em nossa cidade, só serviu para dar mais força a essa população que há anos vem sofrendo, seja na área financeira,seja com políticos mentirosos, que ainda aproveitam de tal situação, para fazer demagogias.

    ResponderExcluir

COMENTÁRIOS SOMENTE COM CONTAS NO GOOGLE